Z3 Energia Traz Nova Tecnologia De Geração Solar Ao Brasil

 

Por Daniel Fraiha (daniel@petronoticias.com.br) - 

A saída da Petrobrás, onde ocupava o cargo de diretor internacional até julho de 2012, parece ter feito bem ao engenheiro eletrônico Jorge Zelada, que atualmente está à frente da empresa de consultoria Z3 Energia.Zelada deixou a estatal após 32 anos de carreira e em pouco menos de um ano já está com grandes planos para a área de energia no Brasil. Em associação com a companhia suíça TVP Solar, detentora de uma tecnologia inovadora em geração termossolar, o executivo planeja instalar uma fábrica de painéis solares no Rio de Janeiro, com investimentos de R$ 50 milhões, até o fim de 2014. O cronograma pode ser um pouco estendido, de acordo com o andamento dos estudos de viabilidade e a captação de financiamentos, mas ele afirma que todos os passos dados estão tendo retornos positivos. A companhia estrangeira, que teve sua tecnologia agraciada com o prêmio de inovação do ano na Inter Solar 2012, pretende ampliar seus negócios pelo mundo e Zelada ficará responsável pela América do Sul.

Qual o foco da Z3 Energia?

O foco é trabalhar no mercado de energia, não só petróleo. Hoje nosso principal projeto é na área de energia solar, envolvendo uma nova tecnologia de painéis solares térmicos com alta eficiência. É um produto que ainda não está no mercado. Ele está sendo desenvolvido por uma empresa suíça, chamada TVP Solar.

Do que se trata a tecnologia?

Eles conseguiram desenvolver algumas patentes e tecnologias para permitir que o painel tenha uma isolação a alto vácuo, que gera uma eficiência térmica muito maior, com um novo tipo de vedação vidro-metal. Com isso, a estrutura plana suporta a pressão atmosférica, com alto vácuo em seu interior, e consegue mantê-lo ao longo do tempo.  Essa tecnologia ganhou o prêmio de inovação do ano na Inter Solar 2012, que é a maior feira do setor no mundo.

Onde é a fabricação?

A TVP Solar tinha uma fábrica de produção limitada em Avellino, na Itália, enquanto desenvolvia os produtos, mas agora estão construindo uma maior, para produzir painéis em larga escala. Esse é um desenvolvimento que vem de mais de cinco anos.

Esses painéis já foram instalados em algum lugar?

Existe uma instalação em Masdar City, um distrito de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que possui diversas tecnologias sustentáveis. Já está em testes e medições há um ano lá, então há um histórico de dados bastante robusto.

Qual a diferença desse novo painel em relação aos que já existem?

Existem duas outras tecnologias que competem com ela, sendo que a da TVP Solar é mais eficiente e mais barata do que as outras. Os desenvolvimentos envolvem três tipos de produtos: o HT Power (de alta temperatura), MT Power (de média temperatura) e o Tanque.

Quais as finalidades de cada um?

O de média temperatura pode gerar energia térmica de 100°C a 200°C, sendo que hoje não tem nenhuma tecnologia de energia solar capaz de gerar isso. Então pode ser utilizado nas indústrias têxtil, de bebidas, de laticínios, de papel e celulose, entre outras. E ele é competitivo em relação ao gás natural no Brasil. O painel de alta temperatura, que vai até 300°C, mais ou menos, pode ser utilizado em recuperação de petróleo em campos terrestres, pela injeção de vapor, por exemplo. E o Tanque, que poderá gerar também energia elétrica, terá aplicação residencial, mas vai depender do quanto a rede puder absorver do excesso de energia.

Todos já estão em fase de comercialização?

O de média temperatura, para aplicação industrial, já está testado e certificado em organismos internacionais, sendo que a fábrica de Avellino deve começar a produzir em larga escala no início de 2014. O de alta temperatura é o que está praticamente pronto, precisando apenas ter tempo de utilização para validar tudo que foi desenvolvido. E o produto para aplicação residencial ainda está em fase final de desenvolvimento.

Qual a vantagem de trazer a nova tecnologia ao Brasil?

No Brasil temos muita irradiação solar, o preço da energia elétrica é alto e o custo do gás relativamente alto, o que dá a oportunidade para a utilização do painel. O custo dele, comparado às outras tecnologias similares, é menor e gera três vezes mais energia térmica. Ele não precisa de manutenção, tem durabilidade de 20 anos e é entregue com garantia de 10 anos.

Como pretendem trazer para o Brasil?

Temos uma parceria com a TVP Solar para desenvolver o mercado em toda a América do Sul. Eles têm inclusive a intenção de implantar uma fábrica aqui no Rio de Janeiro. Então temos duas frentes, uma de atuação comercial, a partir do momento em que a nova fábrica de lá estiver em operação, e outra da instalação de uma fábrica aqui, que teria alto índice de nacionalização.

Em que fase estão os estudos de implantação da fábrica?

Estamos estudando a parte de financiamento e esperamos ter essa parte finalizada até o final deste ano. Será necessário um investimento de cerca de R$ 50 milhões. Não é nem uma grande quantia, porque os equipamentos necessários já existem no mercado, então a estimativa é nessa faixa. O Brasil poderia ser até um polo exportador neste caso.

Já houve a decisão de implantá-la aqui?

A decisão formal vai vir com o fim dos estudos de viabilidade, mas tudo que estamos fomentando tem sido positivo. Em termos de meta, queremos concluir a parte de financiamento até o final do ano. A implantação da fábrica deve levar de 10 a 12 meses. Então até o final de 2014 seria possível. Com a escolha do local e com a própria construção civil, dependendo do andamento, podemos adicionar de três a seis meses nesse planejamento.

Qual será a capacidade de fabricação?

A capacidade nominal da planta é de 70 mil metros quadrados de painéis por ano, sendo que em trabalho de três turnos poderia chegar a 210 mil metros quadrados/ano.